Líder da continuidade
Olavo Machado Jr. atua há mais de 30 anos junto à Fiemg e agora ocupa o posto máximo da instituição, em momento absolutamente favorável. “A Fiemg que sonhávamos há 25 anos hoje é uma realidade. Agora é trabalhar para manter esse sonho vivo”, diz. Outro aspecto que destaca é o fato de assumir a presidência no mesmo momento em que o colega e antecessor Robson Braga de Andrade assume a presidência da CNI. “É uma honra ter um mineiro na direção da indústria nacional”, completa.
Formado em engenharia elétrica e envolvido com a indústria mineira desde os 17 anos, quando começou a trabalhar na empresa do pai, Olavo Machado Jr. diz que não haverá grandes mudanças de rumo.
Como o senhor avalia o momento em que assume a Fiemg?
Sou um privilegiado em assumir a Fiemg no melhor momento. Há 25 anos imaginávamos a instituição como a que temos hoje. A minha missão agora é pensar a Federação daqui a 25 anos. Precisávamos que a economia estivesse fluindo melhor para que isso acontecesse. E aconteceu. Estou chegando num momento precioso: de crescimento. É tempo de pensar a indústria do futuro, o que nós vamos fazer daqui para frente.
O que muda na Fiemg com a posse da nova diretoria?
Espero que nada. Não há razão para alterações. Participei ativamente da administração atual e concordei, senão com a totalidade, com a grande maioria das decisões tomadas. Vejo que temos que partir do ponto em que estamos para fazer a Fiemg crescer. É um grande desafio. E, saber que poderei contar com o Robson Andrade na presidência da CNI, que é onde buscamos apoio, orientação de como fazer o sistema indústria crescer, me tranquiliza.
O que representa a ida do Robson Andrade para a CNI no mesmo momento em que o senhor assume a Fiemg?
Hoje a CNI e as outras federações de indústria veem a Fiemg como um exemplo a ser seguido em uma série de ações. É um excelente um prêmio para o trabalho desenvolvido por nós em Minas Gerais, liderados pelo presidente Robson Andrade. Ele leva essa liderança para Brasília no próximo mandato da CNI.
Sob sua direção estaremos trabalhando para estabelecer uma política industrial que pretende justamente dar o rumo que desejamos para o país. E é uma honra ter um mineiro da direção da indústria nacional. E ter um parceiro como o Robson, que é meu amigo de longa data é melhor ainda.
O que pode elevar a competitividade do setor industrial mineiro?
Nosso grande problema, principalmente em Minas, é que somos pouco competitivos. Uma vez que o mercado agora é global, se não cuidarmos de melhorar o rendimento de nossas empresas, podemos ficar para trás. Mas o que está desestabilizando não é a competência da nossa indústria, mas a quantidade de taxas, encargos e impostos com que oneramos nossos produtos. Acho que o governo federal deu o primeiro passo de uma maneira positiva. Mas ainda estamos longe do ideal. Precisamos saber o que está acontecendo em cada região de Minas, em cada cidade, em cada localidade e em cada indústria. Para atacar as causas de possíveis crises, problemas. No geral, estamos preparados para competir, mas não podemos competir em condições diferentes. Não posso trazer um produto do exterior com taxações e encargos diferentes do que tem a indústria brasileira. Quando conseguirmos uma forma de equalização, os produtos estrangeiros podem vir que a indústria brasileira vai estar preparada para a competição.
Como o senhor avalia as condições de infraestrutura no estado?
Nós temos muito a fazer. O governo tem uma responsabilidade muito grande. A gente nota o emaranhado de burocracia e de caminhos difíceis que emperram uma série de empreendimentos. Olha as dificuldades que temos encontrado na duplicação das estradas para Ipatinga e para o Rio de Janeiro. São obras essenciais para que a economia possa fluir. E esses são apenas dois exemplos. Então temos de olhar e ver que estamos trabalhando e fazendo coisas importantes, mas há muito por fazer.
Como resolver impasses como, por exemplo, o das licenças ambientais, que continuam sendo um problema?
Temos que ser mais eficientes. O que me preocupa muito na área ambiental é quando criam-se obstáculos sem embasamento técnico. Investimento tem de ser bem tratado para criar o efeito esperado. Se tecnicamente é provado que é inviável fazer uma usina em determinado lugar porque as condições locais devem ser preservadas é preciso provar e mostrar isso tecnicamente. Dar um não taxativo e competente, baseado em fatos e em verdades. Feito isso o empresário não vai mais mexer ali. Mas quando ficamos na dúvida, e muitas vezes a área ambiental é movida por sentimentos e não por lógica, isso nos traz obstáculos.
Precisamos saber que a preservação ambiental é responsabilidade de todos. Mas é de responsabilidade maior do empresário, que tem a propriedade de modificar o meio ambiente com maior velocidade. Mas é esse mesmo empresário que pode ajudar a corrigi-lo. Hoje todas as grandes empresas de Minas têm programa ambiental, até porque é lei. São 95 empresas com mais de mil funcionários em Minas. Mas é sim um gargalo e precisamos resolvê-lo de forma profissional e séria para poder aproveitar as oportunidades de crescimento, de geração de emprego e de renda da população. As obras da Copa e da Olimpíada são um bom teste para nós. Se não avançarmos nesse sentido podemos perder muitas oportunidades.
E quais os principais desafios da indústria para o segundo semestre?
Já estamos retomando os níveis de atividade pré-crise. Mas, mais do que isso, queremos que a produção industrial vá, de forma sustentável, além daquele patamar. Minas Gerais pode crescer muito se superarmos alguns desafios.
Um grande desafio que deve ser vencido pelo governo brasileiro é o da reforma política. A necessária reforma tributária pode equilibrar a elevada carga que incide sobre o empresariado, identificada como o principal entrave para um crescimento maior da atividade industrial. Além desses impostos, os juros excessivos também precisam ser combatidos, e não ampliados, como feito na última reunião do Conselho de Política Monetária do Banco Central.
Para a iniciativa privada, o principal desafio é o de seguir o ritmo de investimentos para melhora dos produtos fabricados em Minas. O incentivo à inovação e à educação é o caminho certo para que nosso parque industrial cresça de forma sustentável. É também com esses dois ingredientes que poderemos buscar maior diversificação e qualidade no que vendemos para outros estados e países.
O cenário em que qualidade e diversidade de produtos estão aliadas a menores custos para investimentos é o ideal para a perenidade e sustentabilidade das atividades industriais. Queremos exatamente isso, para ampliar a geração de bons negócios para o empresário e de emprego e renda para os profissionais da indústria e de sua cadeia produtiva.
Como o senhor pensa que a Fiemg vai estar daqui a 25 anos?
Daqui até lá poderemos promover um equilíbrio maior das riquezas do país. Tenho a maior admiração por São Paulo e pelo que o empresário paulista fez. Mas acredito que Minas Gerais é agora, junto com o Rio de Janeiro, a segunda opção de crescimento do país. Pelas características de Minas Gerais e pelo preparo de seu trabalhador e de nosso empresário, que eu tenho que achar que é o melhor do país, creio que em 25 anos muita coisa vai acontecer em Minas. Temos todas as condições de nos consolidarmos como uma excelente opção de investimento e empreendimento.
O que a Copa de 2014 e as Olimpíadas 2016 representam para a indústria?
A Copa do Mundo é uma grande oportunidade para as empresas de Minas Gerais. Certamente nossos produtos industriais estarão a serviço de centenas de obras em todo o país. Para garantir que o maior número possível de bons negócios sejam realizados, em função da demanda criada por um evento desse porte, é importante desde já trabalhar para ampliarmos a diversidade e a qualidade do que produzimos no estado. E, claro, é preciso contar com políticas públicas que desonerem o setor produtivo, facilite e incentive investimentos. Temos que nos preparar com mais velocidade, treinar o empresário. Vamos preparar o IEL para ser o parceiro do empresário no treinamento de que ele precisa. Acredito que já podemos preparar o trabalhador para esse futuro próximo. É uma grande oportunidade de mercado que criamos aqui, desde que tenhamos as condições de valorizar a empresa mineira.
Fato Industrial nº 82 – Sistema FIEMG